Em estudos socioantropológicos, é importante distinguir o que falam os clássicos da Sociologia sobre a divisão social do trabalho. Eles procuraram definir as formas e reflexões sobre as diferentes relações que podem acontecer entre homem e o mundo do trabalho, levando em consideração a dimensão social, política e econômica de tal divisão.
Karl Marx (1818–1883)
Marx concebe a divisão social do trabalho no bojo da própria evolução do capitalismo, na medida em que esse define a estrutura de papéis e funções, e a forma como as atividades são divididas, tomando como base o suprimento de nossas necessidades.
Para Marx, o homem vende sua força de trabalho em troca de um salário, submetendo-se à máquina e ao seu dono. O operário precisa vender sua força de trabalho e o proprietário dos meios de produção precisa comprá-la.
Émile Durkheim (1858–1917)
Durkheim define papéis e funções em consonância com critérios morais e não econômicos. Para ele, a divisão social do trabalho traz o sentimento de solidariedade entre aqueles que realizam as mesmas funções, cumprindo a função de integrar a sociedade de forma orgânica e harmônica.
Max Weber (1864–1920)
Weber observa uma diferença na concepção de divisão social do trabalho entre católicos e protestantes. Os últimos valorizavam o trabalho e tinham um rigor com sua doutrina religiosa, bastante alinhada com o capitalismo, demonstrando o espírito empreendedor presente fortemente em sociedades protestantes.
Na atualidade
A organização do trabalho no mundo capitalista está muito determinada por atributos individuais. Existe uma discussão que aponta que para além das determinações de classe, gênero e raça, os indivíduos devem ser alocados no mundo produtivo pela identificação de seus talentos e capacidades individuais — denominados habilidades e competências.
Vivenciamos também a flexibilização das relações de trabalho: despadronização de jornadas, pejotização, remuneração variável e benefícios oscilantes.
Fonte: Estudos Socioantropológicos — Graduação UNISUAM
Para compreender o mundo pós-fordista, é necessário passar pelo entendimento de dois outros modelos que nos levaram até ele: taylorismo e fordismo.
Taylorismo
Criação de Frederick Taylor no início do século XX, com o intuito de organizar o processo produtivo capitalista, focado na extração do maior aproveitamento possível da força de trabalho. Contava com forte maquinário, definição precisa dos tempos e movimentos realizados pelos trabalhadores e divisão entre quem chefia e quem executa atividades repetitivas.
Fordismo
Henry Ford, em 1913, criou a produção padronizada — organização verticalizada da produção na fábrica, do início da matéria-prima até a comercialização do produto final. As chamadas linhas de montagem (esteiras de produção) visavam evitar a perda de tempo e desperdício de energia do trabalhador.
Pós-Fordismo
No contexto pós-fordista, as conquistas dos trabalhadores obtidas no sindicalismo forte e no Estado do Bem-Estar Social são enfraquecidas. Um dos expoentes é o sistema Toyota de produção, criado no Japão após a Segunda Guerra Mundial.
- Mão-de-obra muito qualificada, atuando em diferentes funções
- Produção que não excede a demanda do mercado
- Controle visual das etapas de produção
- Sistema de qualidade total (just in time)
- Pesquisa de mercado para atender às demandas dos consumidores
Automação e Desemprego Tecnológico
A automação envolve um sistema fundado no uso de técnicas computadorizadas ou mecânicas para dinamizar e otimizar todos os processos produtivos. Divide-se em:
| Tipo | Descrição |
|---|---|
| Automação Industrial | Utilização de robôs controlados por computadores que realizam o trabalho de seres humanos. |
| Automação Informatizada | Processo de automação por meio de sistemas computacionais no tratamento da informação. |
Fonte: Estudos Socioantropológicos — Graduação UNISUAM
A sociedade do consumo se desenvolveu de forma mais intensa ao longo dos séculos XVIII ao XX, por ocasião do avanço da atividade industrial. Com as invenções e modernas formas de produzir mercadorias, o consumo expandiu-se de forma significativa, impulsionado pela ampliação dos meios de publicidade.
A sociedade de consumo remete-se ao contexto contemporâneo de evolução do capitalismo, caracterizado pelo crescimento econômico e pela geração de lucros advindos das atividades comerciais e do estímulo ao consumo exacerbado — empurrado pela lógica do fetiche da mercadoria e pelo incremento nas mídias de comunicação.
Indústria Cultural e Cultura de Massa
Para Coelho (1993), a indústria cultural, os meios de comunicação de massa e a cultura de massa nasceram com a industrialização, orientando-se pelos princípios da produção econômica: uso crescente da máquina, exploração do trabalhador e divisão do trabalho.
| Conceito | Definição |
|---|---|
| Indústria Cultural | Designa a forma com que os produtos culturais são fabricados de acordo com a lógica do capital, impedindo a autonomia do indivíduo para criar e julgar o que quer consumir. |
| Cultura de Massa | Produto desenvolvido pela indústria cultural — fenômeno em que se submetem as mais variadas expressões culturais a um ideal comum e homogêneo. |
Marx Horkheimer e Theodor Adorno (Escola de Frankfurt) mostraram que a cultura de massa causou grande impacto na sociedade, produzindo uma homogeneização dos indivíduos, com difusão de modelos planificados de cultura e padrões homogêneos.
Cultura de Mídia na Pós-modernidade
Hoje avançamos para uma cultura presa aos padrões da internet e redes sociais. A cultura midiática sinaliza o que devemos fazer em relação ao que é apresentado em redes sociais como Facebook e Instagram. O consumo e a vida das pessoas são determinados pelo que circula nas redes sociais e pela virtualização do consumo nas rotinas de vida.
Fonte: Estudos Socioantropológicos — Graduação UNISUAM
A cultura de massa contribui para a definição de determinados padrões de consumo — modelos que obedecem a diretrizes específicas e ditam as preferências e escolhas do que e como consumir. Estabelecem um nivelamento de hábitos, gostos, comportamentos e atitudes, definindo o consumo por grupos, cultura e formas de agrupamentos sociais.
Bauman e o Consumismo
Bauman (2005) destaca que o ato de consumir suscita a satisfação momentânea. A utilidade de um objeto está vinculada à sua capacidade de realizar a satisfação. Sem essa satisfação garantida, extingue-se a necessidade de aquisição do produto ou serviço.
Sustentabilidade e Consciência Ecológica
| Conceito | Definição |
|---|---|
| Sustentabilidade | Capacidade de desenvolver sustentação e conservação de um processo ou sistema. Direciona a forma como os indivíduos agem em relação à convivência com a natureza. |
| Consciência Ecológica | Capacidade de refletir para agir em relação à preservação dos recursos naturais, da biodiversidade, da fauna e flora, e da própria existência humana futura. |
Agenda 21
A Agenda 21 é um dos principais resultados da conferência Eco-92 ou Rio-92, ocorrida no Rio de Janeiro em 1992. Consiste em plano de ação construído internacionalmente para direcionar, em escala global, nacional e local, os sistemas das Nações Unidas, orientando governos e sociedade civil em suas relações com o meio ambiente.
Referências
- BAUMAN, Zygmunt. Medo líquido. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.
- DURKHEIM, Émile. Da divisão do trabalho social. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
- MORIN, Edgar. Ciência com Consciência. 8. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.
- WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
Fonte: Estudos Socioantropológicos — Graduação UNISUAM