Material Didático — UNISUAM
Estudos Socioantropológicos
1 Unidade · 4 temas · Relações de Trabalho e Sociedade de Consumo
Unidade 03 — Relações de Trabalho e Sociedade de Consumo
1
Divisão Social do Trabalho e o Trabalho na Sociedade Industrial Capitalista

Em estudos socioantropológicos, é importante distinguir o que falam os clássicos da Sociologia sobre a divisão social do trabalho. Eles procuraram definir as formas e reflexões sobre as diferentes relações que podem acontecer entre homem e o mundo do trabalho, levando em consideração a dimensão social, política e econômica de tal divisão.

Karl Marx (1818–1883)

Marx concebe a divisão social do trabalho no bojo da própria evolução do capitalismo, na medida em que esse define a estrutura de papéis e funções, e a forma como as atividades são divididas, tomando como base o suprimento de nossas necessidades.

Definição: A divisão social do trabalho é a maneira como o trabalho está distribuído nas diferentes sociedades, que possuem especificidades em suas estruturas socioeconômicas e que dividem indivíduos e grupos por atividades específicas fundadas a partir do desenvolvimento das forças produtivas e da própria configuração interna das comunidades.

Para Marx, o homem vende sua força de trabalho em troca de um salário, submetendo-se à máquina e ao seu dono. O operário precisa vender sua força de trabalho e o proprietário dos meios de produção precisa comprá-la.

Émile Durkheim (1858–1917)

Durkheim define papéis e funções em consonância com critérios morais e não econômicos. Para ele, a divisão social do trabalho traz o sentimento de solidariedade entre aqueles que realizam as mesmas funções, cumprindo a função de integrar a sociedade de forma orgânica e harmônica.

"Se a divisão do trabalho produz a solidariedade, não é apenas porque ela faz de cada indivíduo um 'trocador'; é porque ela cria entre os homens todo um sistema de direitos e deveres que os aliam uns aos outros de maneira duradoura." (DURKHEIM, 2004, p. 429)

Max Weber (1864–1920)

Weber observa uma diferença na concepção de divisão social do trabalho entre católicos e protestantes. Os últimos valorizavam o trabalho e tinham um rigor com sua doutrina religiosa, bastante alinhada com o capitalismo, demonstrando o espírito empreendedor presente fortemente em sociedades protestantes.

Na atualidade

A organização do trabalho no mundo capitalista está muito determinada por atributos individuais. Existe uma discussão que aponta que para além das determinações de classe, gênero e raça, os indivíduos devem ser alocados no mundo produtivo pela identificação de seus talentos e capacidades individuais — denominados habilidades e competências.

Vivenciamos também a flexibilização das relações de trabalho: despadronização de jornadas, pejotização, remuneração variável e benefícios oscilantes.

Fonte: Estudos Socioantropológicos — Graduação UNISUAM

2
Pós-Fordismo, Flexibilidade, Automação e Desemprego Tecnológico

Para compreender o mundo pós-fordista, é necessário passar pelo entendimento de dois outros modelos que nos levaram até ele: taylorismo e fordismo.

Taylorismo

Criação de Frederick Taylor no início do século XX, com o intuito de organizar o processo produtivo capitalista, focado na extração do maior aproveitamento possível da força de trabalho. Contava com forte maquinário, definição precisa dos tempos e movimentos realizados pelos trabalhadores e divisão entre quem chefia e quem executa atividades repetitivas.

Fordismo

Henry Ford, em 1913, criou a produção padronizada — organização verticalizada da produção na fábrica, do início da matéria-prima até a comercialização do produto final. As chamadas linhas de montagem (esteiras de produção) visavam evitar a perda de tempo e desperdício de energia do trabalhador.

Pós-Fordismo

No contexto pós-fordista, as conquistas dos trabalhadores obtidas no sindicalismo forte e no Estado do Bem-Estar Social são enfraquecidas. Um dos expoentes é o sistema Toyota de produção, criado no Japão após a Segunda Guerra Mundial.

  • Mão-de-obra muito qualificada, atuando em diferentes funções
  • Produção que não excede a demanda do mercado
  • Controle visual das etapas de produção
  • Sistema de qualidade total (just in time)
  • Pesquisa de mercado para atender às demandas dos consumidores

Automação e Desemprego Tecnológico

A automação envolve um sistema fundado no uso de técnicas computadorizadas ou mecânicas para dinamizar e otimizar todos os processos produtivos. Divide-se em:

TipoDescrição
Automação IndustrialUtilização de robôs controlados por computadores que realizam o trabalho de seres humanos.
Automação InformatizadaProcesso de automação por meio de sistemas computacionais no tratamento da informação.
Desemprego Tecnológico: marcado pela ausência de qualificação específica para operar máquinas modernas e pela redução/desaparecimento de postos de trabalho substituídos pela automação.

Fonte: Estudos Socioantropológicos — Graduação UNISUAM

3
A Sociedade do Consumo: Indústria Cultural e Cultura de Massa

A sociedade do consumo se desenvolveu de forma mais intensa ao longo dos séculos XVIII ao XX, por ocasião do avanço da atividade industrial. Com as invenções e modernas formas de produzir mercadorias, o consumo expandiu-se de forma significativa, impulsionado pela ampliação dos meios de publicidade.

A sociedade de consumo remete-se ao contexto contemporâneo de evolução do capitalismo, caracterizado pelo crescimento econômico e pela geração de lucros advindos das atividades comerciais e do estímulo ao consumo exacerbado — empurrado pela lógica do fetiche da mercadoria e pelo incremento nas mídias de comunicação.

American Way of Life: Nos Estados Unidos, emergiu a ideia do estilo de vida americano, definido por um consumo descontrolado, em que as pessoas imaginavam ser mais felizes por consumirem cada vez mais.

Indústria Cultural e Cultura de Massa

Para Coelho (1993), a indústria cultural, os meios de comunicação de massa e a cultura de massa nasceram com a industrialização, orientando-se pelos princípios da produção econômica: uso crescente da máquina, exploração do trabalhador e divisão do trabalho.

ConceitoDefinição
Indústria Cultural Designa a forma com que os produtos culturais são fabricados de acordo com a lógica do capital, impedindo a autonomia do indivíduo para criar e julgar o que quer consumir.
Cultura de Massa Produto desenvolvido pela indústria cultural — fenômeno em que se submetem as mais variadas expressões culturais a um ideal comum e homogêneo.

Marx Horkheimer e Theodor Adorno (Escola de Frankfurt) mostraram que a cultura de massa causou grande impacto na sociedade, produzindo uma homogeneização dos indivíduos, com difusão de modelos planificados de cultura e padrões homogêneos.

Cultura de Mídia na Pós-modernidade

Hoje avançamos para uma cultura presa aos padrões da internet e redes sociais. A cultura midiática sinaliza o que devemos fazer em relação ao que é apresentado em redes sociais como Facebook e Instagram. O consumo e a vida das pessoas são determinados pelo que circula nas redes sociais e pela virtualização do consumo nas rotinas de vida.

Fonte: Estudos Socioantropológicos — Graduação UNISUAM

4
Padrões de Consumo: Consumismo e Consciência Ecológica

A cultura de massa contribui para a definição de determinados padrões de consumo — modelos que obedecem a diretrizes específicas e ditam as preferências e escolhas do que e como consumir. Estabelecem um nivelamento de hábitos, gostos, comportamentos e atitudes, definindo o consumo por grupos, cultura e formas de agrupamentos sociais.

Bauman e o Consumismo

Bauman (2005) destaca que o ato de consumir suscita a satisfação momentânea. A utilidade de um objeto está vinculada à sua capacidade de realizar a satisfação. Sem essa satisfação garantida, extingue-se a necessidade de aquisição do produto ou serviço.

Dilema de Bauman: "É necessário consumir para viver, ou viver para consumir?" — uma questão que marca nossas vidas com força, pois estamos todos inseridos cotidianamente nesta lógica da voraz sociedade de consumo.

Sustentabilidade e Consciência Ecológica

ConceitoDefinição
Sustentabilidade Capacidade de desenvolver sustentação e conservação de um processo ou sistema. Direciona a forma como os indivíduos agem em relação à convivência com a natureza.
Consciência Ecológica Capacidade de refletir para agir em relação à preservação dos recursos naturais, da biodiversidade, da fauna e flora, e da própria existência humana futura.

Agenda 21

A Agenda 21 é um dos principais resultados da conferência Eco-92 ou Rio-92, ocorrida no Rio de Janeiro em 1992. Consiste em plano de ação construído internacionalmente para direcionar, em escala global, nacional e local, os sistemas das Nações Unidas, orientando governos e sociedade civil em suas relações com o meio ambiente.

Agenda 21: Reforçou que mudar os padrões de consumo e produção está no coração do desenvolvimento sustentável.

Referências

  • BAUMAN, Zygmunt. Medo líquido. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.
  • DURKHEIM, Émile. Da divisão do trabalho social. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
  • MORIN, Edgar. Ciência com Consciência. 8. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.
  • WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

Fonte: Estudos Socioantropológicos — Graduação UNISUAM